quinta-feira, 7 de julho de 2016

Septoplastia – A Cirurgia de desobstrução nasal.


Saiba como funciona a solicitação ao SUS, a cirurgia e recuperação.

A septoplastia é a cirurgia utilizada para deixar o septo de forma reta. Atualmente, uma das cirurgias mais realizadas no mundo, seja esteticamente, ou para resolver problemas respiratórios.


 Causas e Tratamento para desvio de septo. 



O Assistente Administrativo do PAM (Policlínica Central de Itajaí), Enio Muller, diz que na maioria dos casos o paciente é encaminhado a um especialista por um clínico, quando este possui um grau elevado de dificuldade respiratória. Mas são poucas às vezes que a cirurgia ocorre em Itajaí.

Audio complementar do Assistente Enio Muller.mp3 

Geralmente, os médicos encaminham casos mais complicados para Florianópolis, onde além da estrutura ser mais adequada, é mais fácil conseguir realiza-la pelo SUS. Já correções simples são feitas em Itajaí, depois de agendado no controle de avaliação da Secretária de Saúde do Município. Pelo SUS, a espera pode chegar a dois anos.
O médico da PAM, Daniel Mendes, diz que o septo nasal é a estrutura que divide o nosso nariz em dois lados. Já com o desvio, a pessoa nota que uma narina está sempre entupida, ou fechada. Associamos esse desvio ao aumento das conchas nasais, que estando tortas podem atrapalhar a passagem de ar. O tratamento é feito através de um procedimento cirúrgico.

Para a acadêmica de Jornalismo da UNIVALI, Beatriz Ferreira, de 21 anos, a oportunidade de fazer a cirurgia chegou como uma benção. Beatriz sofre de problemas respiratórios desde criança, resultados de uma carne esponjosa em seu septo. Seus pais, na época, faziam inalação para ajuda-la a respirar melhor. Quando a levaram em sua primeira consulta, o médico lhes disse que não era preciso fazer a cirurgia, porque a tendência da carne esponjosa era diminuir com o tempo. Infelizmente, estava errado. Em 2014, aos 19 anos, decidiu trata-la, já que as dificuldades para respirar ficavam cada vez mais intensas, principalmente na hora de dormir, ou quando ficava resfriada. Consultou um médico, fez alguns exames de sangue para verificar se tinha alergias e se estava tudo bem com seu corpo, e depois de quinze dias da primeira visita, o médico autorizou a cirurgia.
Após a cirurgia, Beatriz ficou um dia internada para se recuperar, e mais quinze dias com a atadura no nariz, para que os pontos se fechassem corretamente. Durante este período, era possível respirar apenas pela boca. “A sensação era horrível, porque eu precisava comer e respirar pela boca ao mesmo tempo, e só podia dormir com ela aberta também. Tinha a sensação de estar me afogando. Precisei tomar remédio para a dor, porque logo no inicio a região estava bem dolorida.” Comenta Beatriz.
Beatriz Ferreira
Após os quinze dias de desconforto finalmente voltou ao médico. Ele retirou o curativo e os Splints nasais que haviam sido colocados para firmar o septo. “Respirar pelo nariz depois de duas semanas usando só a boca foi uma sensação engraçada, mas reconfortante.”


Os pontos permaneceram por mais um mês, onde ela consultou cinco vezes para verificar se estava tudo certo e limpar a região com antisséptico. Depois de retirá-los, sobrou apenas uma cicatriz na borda do nariz - imperceptível aos olhos de quem a vê, mas que a incomoda – e o sangramento, que ainda ocorre de vez em quando, principalmente se está muito frio. Ainda há uma pequena dificuldade para respirar na narina esquerda quando está resfriada e o risco da carne voltar a crescer, já que é um processo progressivo. Mas Beatriz se sente satisfeita com a cirurgia, pois sua qualidade de vida melhorou muito após fazê-la.

Já para o Designer Gráfico e Publicitário Felipe Lenon, de 26 anos, a razão de sua cirurgia fora outra. Quando cursava a oitava série do ensino fundamental, as crianças ao seu redor o caçoavam muito por causa do tamanho de seu nariz. Após anos e anos de bullying, o próprio Felipe criou aversão a esta parte de seu rosto. Decidiu na adolescência que, assim que tivesse condições financeiras, faria uma cirurgia plástica para corrigir este “defeito”.
“O tempo foi passando e cada vez que eu me olhava no espelho, eu tinha mais certeza de que aquele não era o rosto que eu queria ter. Minhas habilidades com edição de fotografia me conduziram a fazer algumas alterações nas fotos que eu publicava nas redes sociais, logicamente o nariz era algo que eu sempre mexia, mas os espelhos não mentiam e eu não conseguia usar photoshop nos meus reflexos.” Diz Felipe. Por muito tempo, Cirurgia plástica, cirurgia de nariz e rinoplastia eram os tópicos mais pesquisados por ele na internet. Assim como seus preços e possibilidades. Corrigir seu nariz virou uma obsessão, mesmo que seus amigos e familiares lhe dissessem que era bonito daquele jeito.
Aos 24 anos fez sua primeira consulta com um cirurgião plástico e pouco mais de um ano depois, estava fazendo as cirurgias. “Além da rinoplastia, eu fiz a septoplastia, que era uma cirurgia obrigatória por conta do meu desvio de septo, algo que, segundo meu cirurgião plástico, dificultava a minha respiração, mas honestamente, não percebi muita diferença.” Atualmente, Felipe, às vezes, pensa sobre a plástica e se impressiona em como algumas brincadeiras de mau gosto na infância puderam ter se tornado um problema tão sério para ele, que chegava a manter certa distância física das pessoas, para que estas não percebessem o tamanho de seu nariz.
Felipe após as cirurgias de Rinoplastia e Septoplastia. 
Para finalizar, ele comenta: “Era grande, mas o que eu via era muito maior, era monstruoso, era feio. Dizer que a minha aparência não ficou melhor é hipocrisia, melhorou sim. Estou mais “adequado” aos padrões de beleza impostos pela sociedade. Me olho no espelho e posso dizer que me sinto mais bonito, minha autoestima melhorou, mas às vezes eu paro pra pensar no dinheiro que eu gastei, na recuperação dolorosa, no tempo que eu perdi me achando horroroso por conta de uma característica estética e me pergunto se isso tudo realmente era necessário.”